
Já que ninguém lê, posso escrever o que quiser.
Escrever como quem quer se entender.
Entender o que é viver.
Pra que? Por que?
Leio.
Leio o filme, o livro, a novela.
Leio o meu vizinho, a grama dele e o seu respiro.
Leio, porque quando quero escrever,
se as palavras não quintaneiam na minha frente,
a literatura me salva.
Aquela que mora em mim.
Aquela que me tocou. Senti.
Leio em voz alta
porque sou uma possuída
quero comunicar, explodir, germinar.
quero abrir caminhos, portas, cantinhos.
E “canto,
pra dizer que no meu coração
já não mais se agitam as ondas de uma paixão.”
Leio porque quero ter outros pontos de vista.
Conhecer outras histórias.
Histórias que me ensinam quem eu sou.
Ou, como é o meu – semelhante?...
Leio em voz alta
porque sou uma artista
porque preciso do outro.
Escrevo porque preciso de você.
Élida Marques
03/05/2008